Foco: Como Priorizar em Tempos de Incerteza

A habilidade de priorizar é fator essencial nesta travessia

Descrever a complexidade destes tempos tupiniquins é quase enfadonho. Basta ver as capas dos jornais e revistas para entrar em sintonia com o cenário. Não basta a areia movediça em que se tornou a classe política brasileira, ainda há a aflitiva gangorra dos humores da economia. A Bolsa de Valores cai ou sobe, dependendo dos escândalos da semana. Os juros básicos permanecerão altos ou cairão, por misteriosos desígnios dos senhores do Copom? E por aí vai a nossa incerteza de cada dia. Mas, na realidade do cotidiano de trabalho, continuam existindo as pautas decisórias, temas relevantes esperando a definição de caminhos. Em RH a situação é um pouco mais complicada, pelo fato de que as decisões envolvem o fator humano, o emprego e a sobrevida dos funcionários que, como todos nós, vivem as emoções ciclotímicas da economia, da política e dos movimentos sociais no Brasil.

Tempos difíceis, pouca clareza de perspectivas, baixo nível de confiança nos governantes e na ética das classes empresariais, com raras exceções que confirmam a regra. Diante disso, como priorizar decisões em RH? Não há fórmula-padrão, apenas recomendações importantes. Manter o equilíbrio necessário em meio à turbulência; afinal a exaltação dos ânimos é um estopim muito curto nas situações de crise. A capacidade de pesar as consequências de uma ou outra decisão pode fazer a diferença entre a precipitação e o bom senso.

Importante também é a busca de uma leitura correta do ambiente. O que está acontecendo na dinâmica da vida extramuros da empresa e o que pode ser uma distorção dos fatos? Recentemente ganhou destaque a palavra “pós-verdade”, a interpretação tendenciosa de fatos a partir das verdades pessoais. Donald Trump é craque em criar pós-verdades, a prevalência de suas opiniões, pouco importando o que de fato aconteceu ou o que pensam os outros.

Se o RH alertar sobre essa tendência, estará ajudando a clarear a análise dos cenários e as decisões poderão ser mais consistentes. Devemos buscar referências no mundo empresarial. Como as organizações estão lidando com as dificuldades do contexto? Quais as experiências dignas de estudo e eventual transposição para o RH da sua organização?

Uma característica curiosa destes tempos é a disponibilidade de boa parte dos players de mercado para “trocar figurinhas”, avaliar alternativas de ação, construir massa crítica sobre as possibilidades de superação das dificuldades comuns a todo o mercado. Parece que a complexidade da situação vem desarmando as defesas exageradas dos concorrentes e abrindo espaço para a troca de ideias e a cooperação. Afinal, o jogo é o mesmo e a sobrevivência de um pode ser o ponto de virada do outro.

Priorizar é criar precedentes. É abrir a janela e enxergar novas atitudes que possam repaginar o modelo e a prática de decidir.