Empreender contra a crise?

– É marcante o crescimento do espírito empreendedor no Brasil

A revista Exame CEO, com três edições anuais, sempre traz um tema central que é desdobrado em conceitos, casos práticos e tendências. Na edição de dezembro, o assunto é empreendedorismo, uma área de estudos com assento permanente na mídia de negócios e no campo acadêmico. A racionalidade por trás desse interesse tem a ver com as dificuldades dos jovens egressos das formações universitárias e dos profissionais experientes e desempregados, no sentido de abrirem alternativas de geração de renda. O que esse contingente está procurando é a simples sobrevivência, numa realidade econômica aflitiva.

Isso é altamente positivo, pois demonstra uma atitude proativa e resolutiva. Não adianta reclamar de que não há trabalho. A concorrência é cruel. O melhor é buscar caminhos que não estão na cartilha regular do mundo do trabalho. Mas há o risco de uma frustração precoce desses candidatos a empreendedores, pela falta de um comportamento equilibrado e maduro para o jogo de mercado. O primeiro traço dessa potencial frustração é representado pelo medo.

A Exame CEO vem com uma informação interessante: os empreendedores nigerianos têm a segunda menor proporção de pessoas que desistem de virar empreendedores por medo de fracassar: são 16%, enquanto no Brasil esse número é de 45%.

São tantas as contramarchas noticiadas sobre o fechamento de negócios quase no nascedouro, que a insegurança acaba prevalecendo. Não há receita para evitar essa situação, mas há uma recomendação do professor Thales Teixeira, de Harvard, que pode atenuar esse índice de desistência. Buscando referência nos casos do Airbnb e Uber, o acadêmico dá o recado: invista na oferta e a demanda virá. Esse conselho envolve uma disciplina ferrenha em construir a estratégia corporativa de proposta de valor.

Você crê no poder intrínseco do negócio que está criando? Percebe o espaço competitivo que o empreendimento pode ocupar? Então, como recomenda o professor Teixeira, vá à luta, mergulhe no campo de potenciais interessados na sua oferta, entreviste-os para comprovar a utilidade da sua ideia. A rapidez de resposta pode ampliar o otimismo do empreendedor e atrair parceiros e sócios capitalistas que deem lastro de recursos para o crescimento do projeto.

O caminho é árduo, exige perseverança, autoconfiança e coragem para não recuar diante dos primeiros temores. As boas surpresas irão reduzindo as fragilidades naturais de quem ousou sair do lugar comum e ganhar musculatura como empresário. O economista Milton Friedman assegurava: não há almoço grátis. Mas o mundo dos negócios costuma recompensar quem pensa alto e trabalha duro para que a sua ambição tenha conexões com a realidade. Que seu sonho seja também sonhado por quem mais interessa nesse jogo: o cliente.