Crise e Inovação – quando a ameaça encontra a oportunidade

Recente publicação destaca a virada de jogo da Inovação no Brasil

O Congresso Nacional de Recursos Humanos – CONARH – tem uma marca distintiva em suas versões dos últimos três anos: a carga de inovação no formato, nas metodologias e nas dinâmicas de animação do Congresso. Quem já participou da organização e execução de um megaevento, sabe da dificuldade de sair da mesmice e ousar a oferta de um produto (o próprio Congresso) que, durante décadas, vem sendo razoavelmente bem-sucedido com fórmulas tradicionais de ensino/aprendizagem, palestrantes de qualidade e conceitos relevantes, mas que esbarram no “jeitão” clássico de auditórios, debates restritos a poucos falantes e a sensação de que a maior parte de nós, congressistas, somos meros expectadores de algo distante e abrangente.

Esse paradigma está mudando rapidamente; são apenas três edições anuais com uma proposta bem diferente do contexto aqui descrito. Parte dessa mudança tem a ver com a aparente contradição entre o momento de crise que vivemos no Brasil e a surpreendente “pegada” de inovação que acontece em várias empresas, de diversos setores de atividade.

Recente publicação do jornal Valor Econômico dá o testemunho da virada de jogo da Inovação no Brasil (o anuário Valor Inovação Brasil, de julho de 2017). A primeira constatação é que as 150 empresas classificadas no ranking de Inovação são unânimes em argumentar que “é na crise que a inovação se mostra mais oportuna”. Essas empresas acreditam que a ameaça da crise pode ser minimizada com a prática da inovação, em várias dimensões e focos de aplicação. Na lista das Top 10 em Inovação há várias empresas que já construíram seu patrimônio de marca e, até por isso, são reconhecidas pelo mercado como Top of Mind. Mas existe o contraponto, através de dezenas de marcas que não estão na grande mídia, mas nem por isso estão descuidando do investimento em inovação. A disposição em investir vem evoluindo e chega a patamares superiores a países que tradicionalmente tem a inovação como pré-requisito.

A Embraer, a grande campeã do anuário, tem a inovação no seu DNA e aplica 10% do faturamento no tema. Parece natural, já que a tipologia de negócio da Embraer requer inovações disruptivas. Mas há, no ranking, o Aché Laboratórios que investe o mesmo índice (10% da receita líquida) em ações e pesquisas de inovação.

Voltando ao início deste artigo, esses exemplos só reforçam os caminhos ousados que os organizadores do CONARH vêm tomando. Afinal, o mundo digital, a internet das coisas, a inteligência artificial, que já convivem com a nossa rotina, apontam um caminho irreversível: é urgente que todos nós, profissionais e executivos de RH, façamos a nossa viagem interior em busca do novo, do ousado, do nunca tentado. Só assim vamos poder agregar outras dimensões à cultura das organizações, às suas estratégias e modelos de construção do futuro.