Coaching Executivo, uma nova panaceia?

É voz corrente nos setores de Recursos Humanos das corporações o estágio atual de esgotamento das fórmulas tradicionais de treinamento dos executivos.
De fato, são poucos os que ainda se entusiasmam com os conceitos e metodologias da “sala-de-aula”, entendida como o déjà-vu de educação gerencial. Com esse esgotamento, surge de uns anos pra cá o fenômeno do coaching, uma alternativa até então pouco usual para o autoconhecimento e o desenvolvimento estruturado dos executivos.
Um processo dinâmico de troca entre consultor/especialista e o executivo, abordando prioritariamente os aspectos comportamentais e a complexidade de demandas e interações desse executivo, o coaching pode estar correndo o risco de idêntico esgotamento, tal como vem acontecendo com as ofertas clássicas de educação gerencial.
Essa perspectiva tem origem na perigosa banalização do coaching e na sua proliferação como um rápido instrumento de “ajuste e correção” de comportamentos.
Longe de representar essa fórmula milagrosa, o coaching, quando bem conduzido, provoca um verdadeiro despertar de consciência do executivo e a construção conjunta (consultor e executivo) de uma agenda de autodesenvolvimento, muitas vezes demorada e com resultados visíveis apenas a médio e longo prazos.
Antes de correr o risco de promover falsas expectativas, a programação de coaching deve ser claramente posicionada como um processo continuado e evolutivo de reflexão e aprendizado, com os ganhos, insights e compromissos de melhoria comportamental muito bem pactuados e assumidos.
Caso contrário, muito rapidamente o coaching irá ganhar o clichê de “já tentei e não funciona” que tantos executivos imprimem às novidades dos programas de desenvolvimento.